Profissionais trabalham em estrutura de processamento e armazenamento de plasma para produção de medicamentos

Brasil firma acordo para ampliar produção nacional de imunoglobulina

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O Ministério da Saúde anunciou, em 2 de outubro de 2026, um acordo entre a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) e a chinesa Tiantan Bio para ampliar as fontes de abastecimento de imunoglobulina humana de uso intravenoso no Brasil. O medicamento é utilizado no tratamento de imunodeficiências, infecções bacterianas e alguns tipos de câncer do sangue.

A cooperação prevê etapas como o registro do produto no país, o fornecimento à Hemobrás, o licenciamento e a transferência de tecnologia. Também estão previstas ações de modernização de sistemas, automação e gestão inteligente, em uma iniciativa voltada a fortalecer a capacidade produtiva brasileira e reduzir riscos de desabastecimento no Sistema Único de Saúde (SUS).

As informações foram divulgadas pelo Ministério da Saúde, fonte oficial do anúncio. A publicação também aparece no registro institucional da pasta em sua página de Notícias da Saúde.

Acordo busca ampliar fontes de abastecimento

A imunoglobulina humana de uso intravenoso é um medicamento estratégico para pacientes que dependem de tratamentos relacionados ao sistema imunológico e a doenças hematológicas. Nesse contexto, a ampliação das fontes de fornecimento pode contribuir para dar maior previsibilidade à oferta do produto na rede pública, especialmente em tratamentos que exigem continuidade.

O acordo com a Tiantan Bio inclui a possibilidade de transferência de tecnologia para a Hemobrás. Na prática, esse componente associa o fornecimento do medicamento ao desenvolvimento de capacidades produtivas e tecnológicas no Brasil. O anúncio, porém, não apresentou um cronograma detalhado para cada etapa nem informou, na publicação consultada, volumes específicos de produção nacional.

Além da imunoglobulina, a estratégia anunciada está relacionada ao aproveitamento do plasma destinado à fabricação de medicamentos derivados do sangue. O fortalecimento dessa cadeia envolve desde a coleta e a conservação do material até o processamento e a disponibilização dos produtos para o sistema de saúde.

Hemorrede recebe equipamentos e recursos

Outra frente apresentada pelo Ministério da Saúde envolve a modernização da rede pública de hemocentros. Segundo a pasta, foram distribuídos 604 equipamentos para 125 serviços da hemorrede, abrangendo as 27 unidades federativas. O investimento informado para essa etapa foi de R$ 116 milhões.

A expectativa do governo é elevar em aproximadamente 30% a capacidade de armazenamento de plasma destinado à produção de medicamentos como imunoglobulina, albumina e fatores de coagulação. A ampliação da estrutura de armazenamento é relevante porque permite preservar o material coletado e organizar melhor o envio para as etapas de processamento e fabricação.

Os equipamentos foram destinados a serviços públicos distribuídos em todo o território nacional. Com isso, a medida combina a dimensão industrial do acordo com a Tiantan Bio e a melhoria da infraestrutura necessária para sustentar a produção de hemoderivados no país.

Financiamento terá critérios de desempenho

O anúncio também incluiu a criação de um mecanismo de financiamento de R$ 38 milhões para os hemocentros. A distribuição dos recursos deverá considerar critérios como eficiência operacional, qualidade da gestão, aumento das doações voluntárias, capacidade de envio de plasma à Hemobrás e redução do desperdício de hemocomponentes.

De acordo com a proposta divulgada, o modelo pretende relacionar o repasse de recursos a resultados da operação dos serviços. A medida coloca a gestão do plasma e dos hemocomponentes no centro da política de fortalecimento da hemorrede, ao mesmo tempo em que busca estimular a melhoria dos processos nos hemocentros.

O conjunto de ações anunciado pelo Ministério da Saúde reúne cooperação internacional, transferência tecnológica, investimento em equipamentos e financiamento para a rede pública. O objetivo informado é fortalecer a produção nacional de imunoglobulina e reduzir a vulnerabilidade do SUS diante de eventuais dificuldades no abastecimento de medicamentos estratégicos.

A implementação dependerá das etapas regulatórias e operacionais previstas no acordo, incluindo o registro do produto no Brasil e a organização do fornecimento à Hemobrás. Até o momento da divulgação, a fonte oficial não detalhou prazos para a conclusão dessas fases. O anúncio, portanto, representa o início de uma cooperação voltada a ampliar a segurança da cadeia de medicamentos derivados do sangue no país.

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